Acabou a Operação Carne Fraca. E agora?

Há um mês, a população foi surpreendida com a notícia de que a carne brasileira estaria condenada. Pelo que foi dito, milhões e milhões de brasileiros poderiam estar com a saúde ameaçada em virtude do consumo diário de um produto que não seria tão seguro como se imaginava.

À época, a operação, batizada pela Polícia Federal de “Carne Fraca”, ao apurar denúncias de um suposto envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um provável esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos, soou o alarme e estremeceu o setor controlado por pelo menos duas grandes empresas – responsáveis por marcas muito conhecidas pela população.

Trinta dias se passaram. Hoje, sabe-se que há falhas, mas não na proporção ventilada aos quatro cantos do mundo. Mas o reflexo negativo foi inevitável. Logo após a operação, o Instituto Paraná Pesquisa divulgou o que já era esperado. Em São Paulo, 40,3% dos entrevistados informaram que passaram a comer menos carne depois dos fatos divulgados. A mudança de comportamento, por conta do medo, foi confirmada principalmente por pessoas com menos escolaridade e por idosos.

Estaria a nossa carne realmente contaminada a ponto de ser abolida do cardápio? Não é bem assim. A carne brasileira tem qualidade e reconhecimento mundial, resultado de fiscalização realizada por órgãos internacionais que apresentam um nível alto de exigência.

No entanto, deve-se reconhecer que o “alarme falso” teve um lado positivo. Na prática, alertou as pessoas sobre a necessidade de mudar a rotina ao prestar mais atenção em detalhes do produto retirado das prateleiras, um cuidado que se deve ter não só com a carne, mas com toda mercadoria que tem prazo de validade para consumo.

A nutróloga Melissa Chaves traz alguns esclarecimentos, que devem ser incorporados ao comportamento diário:

  • Como fazer na hora de escolher a carne no mercado ou açougue?

Os nossos sentidos são fundamentais nessa hora. O principal é verificar o aspecto geral do alimento. As carnes impróprias geralmente têm textura e odor alterados. Elas são pegajosas e opacas. Além disso, a coloração e o cheiro não são nem um pouco agradáveis.

Importante verificar também as condições em que o produto está armazenado. Muita gente nem se lembra desse detalhe, no entanto é importante observar se o local é apropriado, se a temperatura da geladeira está adequada e se a embalagem está realmente vedada. Esses são princípios básicos de conservação dos alimentos.

  • Durante e depois da operação policial, falou-se que as empresas adicionam ácido ascórbico para disfarçar “as carnes podres”. Essa substância é prejudicial? Ela pode ser utilizada nos alimentos?

O ácido ascórbico é vitamina C usada, de forma regular, como um conservante. Somente se houver um real exagero nas quantidades dessa vitamina é que pode haver algum dano, o que não foi constatado nas investigações.

  • A carne é um ingrediente na nossa alimentação que pode colocar nossa saúde em risco?

De uma maneira geral, a carne, seja vermelha ou branca, é um alimento saudável e pode fazer parte da dieta, mas não de forma exagerada. Se o indivíduo quer retirá-la do dia a dia, por motivos éticos, filosóficos ou ambientais, ele deve basear essa decisão nesses critérios e não em uma possibilidade de que a carne brasileira esteja imprópria para consumo, o que não é verdade. Vale ressaltar, inclusive, que os vegetais também estão sujeitos à contaminação e podem oferecer riscos.

Um cuidado interessante para reduzir possíveis problemas está no modo de preparo. As carnes totalmente cozidas oferecem menor risco do que as cruas, já que o cozimento elimina boa parte dos micro-organismos patogênicos. Então, se estiver na dúvida, prefira aquelas totalmente cozidas.

Por fim, é sempre bom relembrar a necessidade de manter os olhos bem abertos também na procedência da carne, bem como arranjar um tempinho para pesquisar a respeito dos frigoríficos e criadores, sobre a forma como eles trabalham, históricos de irregularidades e até mesmo como vivem os animais e como são tratados, excluir da lista o produto que vem de locais que desrespeitam as normas ambientais e sanitárias ou que não possuem práticas que estejam de acordo com sua filosofia de vida. A exigência e o questionamento do consumidor são muito importantes para garantir uma carne de qualidade à mesa.

Saiba mais sobre a Dra. Melissa Chaves

Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tornou-se especialista em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), em 2016.

A Dra. Melissa é pós-graduada, desde 2006, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, desde 2007.

A profissional traz no currículo, ainda, artigos e resumos publicados em periódicos e anais de congressos. As premiações obtidas ao longo dos anos representam uma retribuição ao empenho e à dedicação à profissão. Entre elas:

– Women’s Dermatologic Society International Travel Grant, bolsa desta entidade com o objetivo de cobrir as despesas de viagem e permitir participação e apresentação de trabalho em forma de pôster no American Academy of Dermatology 65th meeting, Washington DC, 2007.

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