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Afinal, o café faz bem à saúde?

Esse “pretinho”, como é carinhosamente chamado, é a segunda bebida mais consumida no mundo. Perde apenas para a água. O sabor e o aroma atraem as pessoas, e ele está presente na mesa de todas as classes sociais. O café é cultivado em continentes como América, Ásia e África, em geral nos países de clima quente.

O café não é brasileiro. O primeiro país a cultivá-lo foi o Iêmen, no ano de 575. Só no século XVIII ele chegou ao Brasil, que em 1890 tornou-se o maior exportador do produto ao vender para o mercado internacional cerca de 26 milhões de sacas.

Mas será que o café faz bem à saúde? Uns dizem que sim, outros dizem que não. A nutróloga Melissa Chaves traz alguns esclarecimentos.

Composição 

Quando pensamos na composição do café, logo nos lembramos da cafeína. Mas esse é apenas um dos componentes – a lista é grande. No café, encontramos inúmeros fitoquímicos, principalmente polifenóis e antioxidantes, que podem impactar positivamente na saúde, como já demonstrado por vários artigos científicos.

Benefícios 

A maior parte dos estudos que descrevem os impactos do café em vários aspectos da saúde é observacional, ou seja, não são experimentos científicos controlados. Isso significa que não podemos ainda tirar conclusões definitivas acerca deles. Dito isso, a maioria desses estudos observacionais tende a considerar o café como uma substância benéfica para boa parte dos indivíduos, dependendo, é claro, da dose.

Portanto, mantê-lo na dieta, com moderação, pode ajudar na performance cognitiva e física. Além disso, o consumo está relacionado à diminuição de risco de alguns tipos de câncer, e de doenças como Parkinson, Alzheimer e na redução da mortalidade por todas as causas.

Quantidade 

E qual seria a dosagem ideal? Existe um máximo recomendável? Isso também varia. Em geral, a tolerância mais comum entre os indivíduos é de 3 a 4 xícaras pequenas, por dia, pela manhã e até o início da tarde.

Cafeína 

Vale ressaltar que a cafeína pode ser nociva às pessoas que a metabolizam de uma forma lenta. Nesse caso, o café pode provocar distúrbios do sono, taquicardia, tremores e mal-estar. Ingerir altas doses pode resultar na piora da pressão arterial e até mesmo alterar a tolerância à glicose.

Para evitar esses problemas, o ideal é que cada um observe os efeitos que o café provoca no próprio organismo, o que é individual. Se perceber alterações, melhor não insistir no consumo.

Há quem, eventualmente, tome café com o propósito de ficar acordado. A questão é: uma vez ou outra, não há problemas. No entanto, tornar isso um hábito pode comprometer a qualidade do sono cronicamente, o que promove consequências maléficas para todo o metabolismo do organismo.

Pequenos

No caso das crianças, recomenda-se não incluir a bebida na dieta. Se optar por oferecer, que seja uma pequena quantidade, pois não há como afirmar a dose correta e a reação que esse público tem ao café.

Quer algumas dicas?

  • Procure não exagerar na quantidade. Lembre-se da frase: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”;
  • Procure consumir a maior quantidade de cafés antes do meio-dia;
  • Se for tomar o expresso, peça um curto ou carioca (curto com água), pois eles têm uma quantidade menor de cafeína;
  • Procure ficar atento aos efeitos que o café tem no seu organismo. Uma boa forma de saber sua reação individual é fazer um teste em si mesmo. Se já toma muito café há muito tempo, tente diminuir aos poucos até retirar por completo. Fique sem nenhum café por algumas semanas e depois reintroduza aos poucos. Dessa forma, será mais fácil perceber se o café lhe faz mal e qual é a quantidade que tolera melhor.

Saiba mais sobre a Dra. Melissa Chaves

Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tornou-se especialista em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), em 2016.

A Dra. Melissa é pós-graduada, desde 2006, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, desde 2007.

A profissional traz no currículo, ainda, artigos e resumos publicados em periódicos e anais de congressos. As premiações obtidas ao longo dos anos representam uma retribuição ao empenho e à dedicação à profissão. Entre elas:

– Women’s Dermatologic Society International Travel Grant, bolsa desta entidade com o objetivo de cobrir as despesas de viagem e permitir participação e apresentação de trabalho em forma de pôster no American Academy of Dermatology 65th meeting, Washington DC, 2007.