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Colágeno – Saiba mais sobre

Saiba mais sobre o Colágeno

        Devo admitir que por muitos anos o meu discurso sobre suplementação oral de colágeno foi o básico. Meu conhecimento sobre nutrição era limitado. Eu dizia que o colágeno é uma proteína e como tal, será digerida em aminoácidos. Não haveria necessidade de suplementar o colágeno oral, já que bastaria comer qualquer outra proteína que o próprio organismo se encarregaria de fabricar o colágeno a partir dos aminoácidos dessa proteína. Faz sentido? Sim, faz sentido. Mas não é tão simples. Vou tentar simplificar aqui.

O colágeno é composto de dois aminoácidos classicamente chamados de não essenciais, ou seja, que podem ser fabricados pelo metabolismo: a glicina e a prolina. Se são não essenciais, teoricamente não precisamos ingeri-los. Acontece que não somos uma fábrica tão eficiente de glicina. Alguns estudiosos sugerem que nosso metabolismo é capaz de fabricar 3g ao dia a partir de outros aminoácidos como a serina.  Somente para o metabolismo básico, precisamos de 10 g ao dia. Por isso, esses autores sugerem que a glicina passe a ser classificada como um aminoácido condicionalmente essencial. Precisaria ser ingerido para o ótimo funcionamento do organismo e reposição de danos.

As proteínas que comumente ingerimos contém vários tipos de aminoácidos, inclusive a glicina, mas são particularmente ricas em metionina. São as carnes advindas de músculos de animais, como os cortes de primeira da vaca (file mignon, maminha, picanha, fraldinha) e o peito de frango. As fontes alimentares ricas em glicina e prolina são justamente as menos valorizadas e pouco presentes na dieta moderna. São as carnes com tendões, cartilagens, fáscia e as carnes com ossos e sua medula (tutano). Além, é obvio, da pele dos animais. Essas partes são ricas em glicina e prolina. Se você não as ingere, precisará contar com a fabricação endógena desses aminoácidos, que parece não ser tão eficiente assim.

Colágeno oral

É por esse motivo que alguns estudos mostram um efeito benéfico da suplementação de colágeno oral para algumas situações: regeneração de tendões, recuperação de articulações, cicatrização de feridas e sim, também no envelhecimento da pele. Um estudo em ratos demonstrou inclusive, para meu espanto, que fragmentos (peptídeos) do colágeno ingerido podem ir parar intactos na pele. Já sabia que absorvemos alguns peptídeos antes de serem digeridos até aminoácidos, mas eles irem parar direto na pele foi uma surpresa.

Enfim, os estudos não são definitivos, alguns são falhos, a ciência muda e avança a cada dia. Mas não estamos aqui falando de tomar uma medicação cheia de efeitos colaterais e cara. É apenas um tipo de proteína. É alimentação, comida de verdade. Se você quiser facilidade e conforto, terá que pagar por isso e ingerir um pó hidrolisado que mistura fácil com a água fria (o tal colágeno hidrolisado). Admito que é conveniente e prático. Não há problema em usar o colágeno da indústria. Mas não precisa. Valorize o animal por inteiro e inclua os cortes estranhos que citei acima na sua alimentação.

Quando cozidos lentamente ou na panela de pressão, os tendões, cartilagens, fáscias, peles e medula óssea (que sai de dentro dos ossos) produzem um caldo riquíssimo, grosso e extremamente saboroso, que vira gelatina quando resfriado. Coisas como músculo, pescoço, canela, rabo, costela, pés de galinha, rabo e orelhas de porco, além é claro de coxas e asinhas de frango com sua pele, torresmo (pele de porco), e muitos outros cortes. A gelatina também é excelente. Aquela sem sabor, sem corantes, sem conservantes, flavorizantes e adoçantes. Faça sua própria gelatina com suco de fruta natural ou use a gelatina para engrossar seus caldos. Se não gosta desses cortes, pode fazer um caldo de ossos e tomar. Não me pergunte a receita. Dá um google. A receita da Pat Feldman é a melhor. Não complique. E se você tem medo da gordura desses cortes que mencionei, leia o blog do Dr. Souto. Até mais!